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2 Frases que desempoderam uma mãe e você não sabia

  • Foto do escritor: Dr.José Martins Filho
    Dr.José Martins Filho
  • 7 de set. de 2023
  • 5 min de leitura



Ouvindo o orientando mães que chegam todos os dias no grupo por mais de uma década e exercitando uma escuta sensível através do empoderamento materno, fui percebendo que o universo de uma mãe que está literalmente no olho do furacão da maternidade no momento desafiador do puerpério e o começo do aleitamento materno, a coloca num lugar de vulnerabilidade extrema.

Como rede de apoio que o grupo é, a dinâmica diária de mães e moderadoras compartilhando suas experiências, vivências e saberes maternos e considerando que quase cem por cento das mães tiveram um começo delicado e até desastroso com o aleitamento – gerando muita culpa materna, frustração por muitas vezes não realizarem o sonho de amamentar seus bebês, o sentimento de incapacidade por terem falhado neste processo muitas vezes a decisão pelo desmame precoce – as impulsionam para a aceitação de uma ajuda urgente e muitas vezes, impositiva.

Neste tsunami de vulnerabilidade, a mãe está em um grau de sensibilidade bastante suscetível e até onde uma orientação pareça ser uma boia de salvação urgente, algumas frases podem levar a uma interpretação errada por parte deste momento de fragilidade. Há muita subjetividade no diálogo materno, tanto da mãe quanto de quem está falando com ela e minha intenção neste texto é trazer maior clareza sobre essa dinâmica, refinando o discurso da fala sensível com o objetivo de oferecer uma ajuda realmente efetiva e definitiva para o problema da mãe.


 


1ª Frase – “Jogue fora os bicos artificiais Agora


A princípio essa é a solução mais lógica e rápida para o problema de confusão de bicos, restaurar a pega correta e recuperar a amamentação exclusiva. Mas a subjetividade da decisão da mãe em optar por estas alternativas de emergência (muitas vezes impostas durante um momento de fragilidade emocional) ancora o sentimento de insegurança de que ela não vai conseguir amamentar exclusivamente, o medo da dor de uma mama ferida, o choro insuportável do bebê, a exaustão do sono em limites preocupantes e o pavor do seu bebê estar literalmente morrendo de fome. Esta solução urgente do uso dos bicos artificiais foi a boia de salvação para ela e está presa nela, como única alternativa de sobrevivência. Se ela largar a boia, afunda.



Se colocar no lugar da mãe neste momento, reconhecendo a sua fragilidade com outra boia na sua mão – a do conhecimento e do empoderamento materno – para fortalecer suas escolhas e recusas informadas e recuperar a sua segurança aos poucos, trará muita segurança e confiança.

Tirar de uma vez os bicos e leite artificiais é abrupto também para o bebê e isso também gera angústia, porque ofereçam uma alternativa de conforto rápida e como ele ainda não descobriu o prazer e a plenitude que é mamar exclusivamente no peito, aquela alternativa também era a boia de salvação para a fome, o sono, o choro, a inquietação e a frustração de não sugar a mama da sua mãe eficazmente. Os dois precisam de apoio e ajuda, não podemos considerar apenas a mãe.

Conduzindo a mãe a abandonar gradativamente o uso dos bicos e fórmulas artificiais e fortalecendo ela dia a dia sobre sua plena capacidade de amamentar o seu bebê com o seu leite – reduzindo diariamente a quantidade de ml no caso da fórmula artificial, oferecer uma mama sem o bico artificial e a outra com até ser capaz de oferecer as duas sem e ensinar outras formas de consolo do choro ao uso da chupeta – aos poucos a mãe vai se apropriando do seu autopoder materno.

Segurar a mão da mãe e não soltar até que ela e o seu bebê estejam seguros em terra firme.


2ª Frase – “Manda todo mundo Calar a Boca!


Quando falo “todo mundo” estou incluindo o pai, a família do pai e a da mãe, amigos, mães do grupo e os profissionais de saúde. Uma rede de apoio para uma mãe é fundamental. Apoio emocional, profissional, com os outros filhos e até com a organização doméstica. O maior desafio para uma mãe é o exercício constante de calar as vozes de fora e ouvir a sua voz interior e muitas mães levam bastante tempo até conseguirem, e quando fazemos esse exercício de deixar a voz dela falar mais alto do que a nossa, ela alcançará este nível de escuta interna mais rápido.

Ninguém pode querer amamentar mais do que mãe. Uma mãe empoderada, empodera o seu entorno e nosso objetivo é guiar ela no caminho pessoal da conquista do seu empoderamento materno. Aqui temos uma situação semelhante a mãe agarrada na boia salva vidas. Ela está submersa no mar da solidão materna, um puerpério desamparado e qualquer apoio que traga algum alívio para o seu desespero e exaustão materna é uma salvação bem-vinda e coisas mínimas que antes não tinham tanta importância como um banho quente de dez minutos, uma refeição quentinha ou um cochilo de quinze, pode será coisa mais importante que ela vai apreciar com prazer em um dia de puerpério eterno.

Mas muitas vezes essa ajuda vem com um pacote de palpites, muitos deles desempoderadores e o pior, insensíveis com o seu alto estado de fragilidade materna. Estamos lindando com uma mãe frágil e indefesa e todo cuidado é fundamental até que ressurja a guerreira adormecida que está dentro dela.

Geralmente os palpites das outras mães do seu entorno está cheio de processos maternos mal resolvidos e suas falas e palpites são apenas uma reprodução de conselhos e soluções que na verdade, nem funcionaram para elas próprias. Estamos diante de uma nova mãe, com a bola de vez de maternar da forma que faça sentido para ela e o que nos resta é respeitar muito essa nova mãe que está nascendo.


 

Sua vontade é Soberana e precisamos fazer sempre aquele exercício de respeitar suas escolhas, mesmo que as nossas tenham feito sentido e funcionado para nós. O que funciona para uma mãe necessariamente não funciona para outra porque temos formas de vivenciar e interpretar a maternidade.

Cada maternidade um universo e a única coisa que nos une universalmente é o amor incondicional que temos pelos nossos bebês e a imensa vontade de acertar sempre. Toda intenção é valida e cada mãe está sendo a melhor mãe para o seu bebê.

Por fim, os profissionais precisam se despir de toda a imposição de um saber científico (que muitas vezes ainda está enraizado no senso comum, podem acreditar!) e estender a mão para aquela que será protagonista da sua maternidade. Então, por favor, continue fazendo um bom trabalho de respeitar as escolhas maternas de uma mãe, sempre e nunca, nunca julgar.


Todo meu amor, admiração e respeito por todos vocês.


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